Sustentabilidade

Energia solar sem placa: empresas vendem créditos de energia para quem mora em apartamento ou não tem espaço

Energia solar sem placa: empresas vendem créditos de energia para quem mora em apartamento ou não tem espaço

Não tenho telhado para colocar placas. E agora?

Essa é uma situação mais comum do que parece.

Eu mesmo já vi muita gente desistir da ideia de Energia solar logo na primeira conta que faz. O imóvel é alugado, o apartamento não tem área disponível, o telhado pega sombra, o condomínio não permite uma instalação individual ou simplesmente não existe espaço suficiente para colocar um sistema capaz de atender o consumo.

A impressão que fica é: “Então energia solar não é para mim”.

Mas existe uma alternativa que mudou bastante essa conversa: usar créditos de energia gerados por uma usina solar sem instalar os painéis no próprio imóvel.

É daí que surgiram as chamadas empresas de energia solar por assinatura, geração compartilhada e outros modelos parecidos.

Na prática, uma usina produz energia, essa energia é injetada na rede elétrica e os créditos podem ser destinados a consumidores que participam do sistema. O consumidor continua recebendo energia pela rede da distribuidora, mas parte do consumo é compensada pelos créditos.

E é justamente aí que mora uma das coisas mais interessantes desse mercado: você pode consumir energia de uma usina solar sem ter uma usina solar no seu telhado.

Mas isso é Mercado Livre de Energia?

Aqui vale fazer uma distinção porque os dois assuntos costumam aparecer misturados na internet.

Crédito de energia e energia solar por assinatura não são exatamente a mesma coisa que migrar para o Mercado Livre de Energia.

Na geração distribuída compartilhada, o consumidor participa de um sistema de compensação de energia. A ANEEL prevê, entre outras modalidades, a geração compartilhada, na qual diferentes consumidores podem participar de uma estrutura destinada à geração e compensação da energia.

Já o Mercado Livre de Energia funciona de outra maneira. Nele, o consumidor habilitado pode escolher seu fornecedor e negociar a contratação da energia.

Essa diferença é especialmente importante para quem está pesquisando o assunto agora.

Uma pessoa que mora em apartamento e quer reduzir a conta de luz provavelmente está olhando para energia solar por assinatura e créditos de energia, e não para uma migração tradicional ao Mercado Livre.

Para empresas maiores, o cenário pode ser diferente.

E o mercado está mudando. O Ministério de Minas e Energia informou que consumidores comerciais e industriais de baixa tensão poderão começar a migrar para o mercado livre em novembro de 2027. Para os demais consumidores, incluindo residenciais, a abertura está prevista para novembro de 2028.

Como funcionam os créditos de energia?

Imagine uma fazenda solar em uma área onde exista espaço para instalar milhares de painéis.

Você não precisa ser dono daquela fazenda.

A usina produz energia e injeta essa eletricidade na rede. Dentro das regras do sistema de compensação, a geração pode resultar em créditos destinados às unidades consumidoras participantes.

Na ponta, a lógica fica bem mais simples do que parece:

  • uma usina solar gera energia;
  • a energia entra na rede da distribuidora;
  • os créditos são destinados aos consumidores participantes;
  • esses créditos compensam parte do consumo;
  • o consumidor paga menos pela parcela de energia compensada, conforme as condições do contrato.

A ANEEL explica que os créditos de energia podem ser utilizados para compensação futura e, nas regras aplicáveis, possuem validade de até 60 meses.

O detalhe que eu acho mais interessante é que a solução separa a geração do local onde a energia é consumida.

É exatamente isso que permite levar energia solar para quem não tem um telhado adequado.

Quem mora em apartamento pode usar?

Em muitos casos, sim.

E essa talvez seja uma das aplicações mais fáceis de entender.

Imagine uma pessoa que mora em um apartamento de 70 metros quadrados. Ela tem uma conta de luz de R$ 350, R$ 500 ou R$ 700 por mês, mas obviamente não tem como colocar no próprio apartamento uma quantidade de painéis suficiente para gerar toda essa energia.

Ela também não quer fazer obra, comprar equipamentos, contratar instalação e depois se preocupar com manutenção.

Com a energia por assinatura, a lógica é outra.

O painel está em outro lugar. A usina é responsável pela geração. O consumidor participa do sistema e recebe os créditos conforme as condições da contratação.

Por isso, esse modelo também pode fazer sentido para quem mora de aluguel, desde que a unidade consumidora seja elegível e a empresa ofereça atendimento naquela região.

E para empresas pequenas?

Aqui a conversa fica ainda mais interessante.

Uma pequena padaria, academia, salão de beleza, restaurante, clínica ou escritório pode ter uma conta de energia que pesa bastante no caixa, mas não necessariamente possui estrutura para instalar uma usina solar.

Às vezes existe espaço no telhado, mas ele é alugado.

Às vezes o imóvel é próprio, mas a estrutura não comporta a instalação desejada.

Em outros casos, a empresa simplesmente não quer imobilizar Dinheiro em equipamentos.

É aí que a energia por assinatura pode funcionar como uma espécie de “energia solar terceirizada”.

Você não compra os painéis. Não precisa construir a usina. Não precisa cuidar da manutenção dos equipamentos.

O que você compra é o acesso à solução de energia e aos créditos gerados por ela, conforme as regras e condições da empresa contratada.

Empresas que trabalham com esse modelo no Brasil

O mercado já tem empresas atuando em diferentes regiões do país. A disponibilidade, porém, pode mudar conforme a distribuidora, a cidade, o tipo de consumidor e a capacidade disponível nas usinas.

Por isso, eu não trataria a lista abaixo como um ranking. É uma seleção de empresas que apresentam publicamente soluções relacionadas a energia por assinatura, geração compartilhada, créditos de energia ou Mercado Livre.

Liora Energia

A Liora Energia é um dos exemplos mais interessantes para colocar nessa lista.

A empresa trabalha com geração distribuída e afirma atender mais de mil cidades, com presença em quatro estados e expansão em andamento. A proposta é justamente permitir que pessoas e empresas tenham economia na conta sem instalar painéis no próprio imóvel.

No modelo apresentado pela empresa, usinas parceiras geram energia, essa energia é injetada na rede e os créditos são destinados à unidade consumidora.

A Liora também oferece uma modalidade de desconto na fatura e outra chamada Antecipa, na qual o cliente pode antecipar o benefício financeiro.

É um exemplo que mostra como o setor está indo além da simples venda de placas solares.

Enerlivre

A Enerlivre trabalha com dois públicos diferentes: consumidores que podem acessar o Mercado Livre de Energia e consumidores que buscam energia solar por assinatura.

A própria empresa informa atendimento em todo o Brasil e apresenta a energia por assinatura como alternativa para pessoas físicas, apartamentos, casas, pequenos comércios e escritórios.

É um caso interessante porque deixa bem visível a diferença entre os dois modelos: para consumidores do Grupo A, a empresa trabalha com Mercado Livre; para consumidores do Grupo B, apresenta a assinatura de energia solar.

Bahia: Tempo Geração

Na Bahia, um exemplo é a Tempo Geração.

A empresa trabalha com energia por assinatura e informa que o consumidor pode reduzir a conta utilizando créditos de energia, sem instalar painéis no próprio imóvel.

Isso pode ser especialmente interessante para quem mora em apartamento ou possui uma empresa sem espaço adequado para uma instalação fotovoltaica.

A empresa também destaca atuação na Bahia e apresenta o modelo como uma alternativa sem obra e sem investimento em equipamentos no imóvel.

Minas Gerais: GDMINAS

Em Minas Gerais, a GDMINAS Energia trabalha com geração distribuída compartilhada e créditos de energia compensados diretamente na conta de clientes atendidos pela CEMIG.

A empresa informa atuação em todo o estado de Minas Gerais dentro da área de concessão da CEMIG e atende residências, comércios, indústrias e outros perfis.

É um exemplo de como a disponibilidade da energia por assinatura está diretamente relacionada à área de atuação da distribuidora.

Minas Gerais: Evoluz

Outra empresa que atua em Minas Gerais é a Evoluz, que apresenta uma solução de energia por assinatura para consumidores atendidos pela CEMIG.

A proposta é receber créditos de energia sem instalar placas solares na propriedade.

Paraná: LEVA Energia

No Paraná, a LEVA Energia informa atendimento em todo o estado com energia por assinatura e geração compartilhada.

A empresa apresenta o serviço para residências, comércios, empresas, condomínios e indústrias, sem necessidade de instalar placas solares no imóvel.

É um daqueles casos em que a proposta fica bastante clara para quem está pesquisando justamente porque não tem espaço para uma instalação própria.

São Paulo e Paraná: Sun Mobi

A Sun Mobi informa atuação em São Paulo e no Paraná, com créditos de energia abatidos diretamente na conta de luz.

A empresa apresenta a solução para consumidores que atendam aos critérios de consumo e informa conexão com distribuidoras locais nesses estados.

Ceará: 9Energia

No Ceará, a 9Energia trabalha com energia por assinatura e informa atendimento a milhares de clientes.

A empresa apresenta planos para diferentes perfis de consumo, incluindo clientes residenciais e empresariais, com economia calculada sobre a parcela de energia consumida.

Ceará: EnergyLivre

Outra empresa que vale conhecer no Ceará é a EnergyLivre.

A companhia apresenta duas soluções diferentes: geração distribuída, com créditos de energia sem necessidade de instalar placas, e Mercado Livre de Energia, com análise de viabilidade, migração e gestão contratual.

Esse é outro exemplo que ajuda a entender por que os termos não devem ser tratados como sinônimos.

Goiás: Planalto Energia

Em Goiás, a Planalto Energia oferece energia solar por assinatura utilizando uma usina própria em Luziânia.

A proposta é voltada para pessoas e empresas que querem utilizar créditos de energia sem instalar placas no imóvel.

A empresa informa atendimento na área da Equatorial Goiás, portanto é importante consultar a elegibilidade antes de contratar.

Goiás e Distrito Federal: Grupo Ecosol

O Grupo Ecosol informa atuação em Goiás e no Distrito Federal com energia solar por assinatura.

A lógica é semelhante: a energia é produzida nas usinas do grupo, entra na rede e os créditos são utilizados para reduzir a conta dos consumidores participantes.

O que muda de uma empresa para outra?

É aqui que eu teria mais cuidado antes de simplesmente escolher a empresa que anuncia o maior percentual de desconto.

Dois anúncios podem falar em “20% de economia”, mas isso não significa necessariamente que o consumidor terá exatamente 20% de redução no valor final da conta.

Existem componentes da fatura que continuam existindo, além de regras específicas de compensação, tarifas, impostos e custos de disponibilidade.

Em baixa tensão, por exemplo, a ANEEL explica que permanece o pagamento do custo de disponibilidade, com valores equivalentes a 30 kWh para ligação monofásica, 50 kWh para bifásica e 100 kWh para trifásica.

Por isso, quando uma empresa promete “até 30%”, eu não olharia apenas para o número grande escrito na propaganda.

Eu pediria uma simulação usando a minha própria conta de luz.

O alerta que muita gente ignora

Não contrate apenas porque alguém disse que a conta vai cair.

Antes de assinar, eu conferiria pelo menos cinco pontos:

  • qual é a distribuidora atendida;
  • qual é o consumo mínimo exigido;
  • qual percentual de desconto realmente será aplicado;
  • se existe fidelidade ou multa de cancelamento;
  • como serão cobrados os valores depois da adesão.

Também vale entender se a empresa está oferecendo geração compartilhada, energia por assinatura, intermediação, Mercado Livre ou uma combinação de serviços.

Não é tudo a mesma coisa.

Por que esse modelo pode ser interessante para quem mora de aluguel?

Esse é um ponto que, para mim, merece mais atenção.

Quando se fala em energia solar, muita gente pensa automaticamente em valorização do imóvel, instalação dos painéis e retorno do investimento ao longo de vários anos.

Mas quem mora de aluguel pode não querer fazer esse investimento.

Imagine instalar um sistema de R$ 20 mil ou R$ 30 mil em um imóvel que você pretende deixar daqui a dois anos.

A conta simplesmente muda.

Com uma solução de energia por assinatura, você não precisa transformar o imóvel alugado em uma obra de infraestrutura energética.

Você participa de uma estrutura que já existe.

É justamente essa mudança de lógica que considero uma das partes mais interessantes do modelo.

E se eu tiver espaço para instalar placas?

Aí a conta precisa ser feita de outra maneira.

Se você tem uma casa própria, bom telhado, boa incidência solar e dinheiro ou financiamento disponível para instalar um sistema, a geração própria pode ser uma alternativa completamente diferente.

Não existe uma resposta universal.

Na geração própria, você investe no equipamento e passa a ter uma estrutura de geração no imóvel.

Na energia por assinatura, você evita esse investimento inicial e utiliza uma estrutura de geração compartilhada.

São modelos diferentes, com custos, contratos, riscos e retornos diferentes.

O mercado está ficando maior

O mais curioso é que essa discussão deve ficar ainda mais importante nos próximos anos.

O Brasil está avançando na abertura do mercado de energia, mas isso não significa que amanhã qualquer pessoa poderá simplesmente escolher uma empresa e abandonar a distribuidora.

O cronograma atual prevê a abertura para consumidores comerciais e industriais de baixa tensão em novembro de 2027 e para consumidores residenciais em novembro de 2028.

Enquanto isso, a geração distribuída e os modelos de energia por assinatura já permitem que determinados consumidores tenham acesso aos benefícios dos créditos de energia sem precisar esperar essa abertura.

É uma diferença pequena na explicação, mas enorme na prática.

Então vale a pena?

Eu acho que a pergunta mais útil não é simplesmente “energia solar por assinatura vale a pena?”.

Eu começaria por outra:

Quanto custa hoje a minha energia e quanto eu gastaria para ter uma solução própria?

Se você mora em apartamento, está de aluguel, não tem telhado adequado ou não quer gastar dinheiro com instalação, a energia por assinatura pode ser uma alternativa que simplesmente não existia de forma tão acessível alguns anos atrás.

Para empresas, a conta pode ser ainda mais interessante, porque uma redução recorrente em uma despesa fixa pode liberar dinheiro para estoque, funcionários, equipamentos ou simplesmente melhorar o caixa.

Mas existe uma última coisa que eu faria antes de assinar qualquer contrato: pegaria a minha conta de luz e compararia a proposta linha por linha.

Porque, no fim, o que interessa não é o percentual bonito no anúncio.

É quanto realmente sai do seu bolso no final do mês.

E talvez seja justamente aí que esteja a próxima grande mudança do setor elétrico: não precisar mais escolher entre ter uma placa no telhado ou simplesmente aceitar a conta que chega.

O consumidor começa a ter uma terceira opção. E essa opção ainda está só começando a ganhar escala.


Observação: as empresas citadas são exemplos encontrados em pesquisa pública e as áreas de atendimento podem mudar. A disponibilidade de créditos depende da distribuidora, da localização da unidade consumidora, do perfil de consumo e das condições comerciais de cada empresa. Antes de contratar, consulte a proposta e o contrato.

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