Tem carro ou moto? Veja como ganhar dinheiro com entregas, Uber, 99 e até alugando o veículo
Se você tem um carro, uma moto, uma Fiorino ou até uma van parada na garagem, provavelmente já pensou em uma pergunta bem simples: será que dá para transformar esse veículo em uma fonte de renda?
A resposta é sim, mas existe uma diferença importante entre simplesmente “fazer umas entregas” e montar uma atividade que realmente pague as contas.
Quando começo a colocar na ponta do lápis combustível, manutenção, pneus, seguro, depreciação e o tempo trabalhando, a conta muda bastante. É por isso que eu gosto de olhar para várias possibilidades ao mesmo tempo: Uber, 99, 99Entrega, Amazon Flex, Shopee e serviços ligados ao Mercado Livre.
E existe ainda uma alternativa interessante para quem não quer dirigir: alugar o veículo para outra pessoa trabalhar.
Neste guia, vou mostrar como cada opção funciona, quais documentos costumam ser exigidos, valores divulgados pelas próprias plataformas e onde fazer o cadastro.
1. Amazon Flex: usar seu próprio veículo para entregar encomendas
O Amazon Flex talvez seja uma das opções mais fáceis de entender. A proposta é simples: você usa seu próprio veículo para fazer entregas de pacotes da Amazon.
A própria Amazon informa atualmente uma referência de R$ 25 a R$ 28 ou mais por hora. Esse valor não deve ser interpretado como salário ou rendimento garantido. A empresa explica que o ganho real depende de localização, veículo, tempo necessário para concluir as entregas e outros fatores.
O trabalho é organizado por chamados blocos de entrega. Antes de começar, o motorista consegue saber o local de retirada, o horário, a duração prevista e quanto receberá pelo bloco.
Um bloco pode durar até cerca de seis horas, segundo as informações da Amazon.
Isso muda bastante a maneira de fazer a conta. Em vez de olhar somente para “quanto paga”, eu olharia para algo como:
- quanto o bloco paga;
- quantos quilômetros serão percorridos;
- quanto será gasto de combustível;
- quanto tempo será necessário para concluir a rota;
- quanto o veículo está se desgastando.
Se uma rota paga R$ 150, por exemplo, não significa que você colocou R$ 150 no bolso. Se foram 100 km de deslocamento e ainda existe combustível, manutenção e desgaste do veículo, o lucro real é outro.
A Amazon mantém uma página específica para verificar as regiões com oportunidades disponíveis. Se a região ainda não estiver recrutando, o interessado pode entrar na lista de interesse.
Cadastro e informações oficiais: [Amazon Flex Brasil](https://flex.amazon.com.br/?utm_source=chatgpt.com)
2. Mercado Livre: cuidado com uma confusão bastante comum
Aqui existe uma diferença que considero importante deixar bem clara.
O Mercado Livre possui o Envios Flex, que permite que vendedores façam entregas rápidas utilizando seus próprios veículos ou contratando um serviço de entrega.
Isso não significa que qualquer pessoa simplesmente baixa um aplicativo do Mercado Livre e começa a receber rotas como motorista.
No Envios Flex, a logística está ligada aos anúncios e vendedores que oferecem esse tipo de envio. O próprio Mercado Livre informa que o vendedor pode utilizar veículos próprios ou contratar um serviço de entrega.
Em cidades como Salvador, o Mercado Livre divulga tarifas do Flex que variam conforme peso e distância. Para encomendas de até 0,5 kg, por exemplo, aparecem valores de R$ 7,99 a R$ 9,99 conforme a área. Para produtos entre 0,5 kg e 5 kg, os valores divulgados ficam entre R$ 8,99 e R$ 10,99 nessas regiões.
Atenção: esses números são tarifas do envio, não devem ser tratados automaticamente como pagamento líquido do motorista.
Para quem quer trabalhar com entregas, uma possibilidade é prestar serviço para vendedores que utilizam o Envios Flex ou atuar por meio de empresas de logística que fazem esse tipo de operação.
O próprio Mercado Livre explica que não envia veículos nem motoristas para o vendedor. A responsabilidade pela operação de entrega fica com o vendedor ou com o serviço contratado.
Informações oficiais sobre o Envios Flex: [Mercado Livre Envios Flex](https://envios.mercadolivre.com.br/envios-flex?utm_source=chatgpt.com)
3. Shopee: existe trabalho para motorista parceiro
A Shopee também possui um programa específico para motoristas parceiros por meio da operação logística da SPX.
E aqui os requisitos são mais interessantes para quem está pensando em transformar entregas em atividade profissional.
Para a modalidade de Motorista Parceiro de Entrega, a Shopee informa que é necessário ter:
- CNH válida com EAR, que significa Exerce Atividade Remunerada;
- MEI em nome do motorista, com uma das atividades econômicas aceitas;
- veículo licenciado e em bom estado;
- veículo com até 20 anos, conforme os critérios divulgados;
- EPIs exigidos pela operação.
Entre os veículos aceitos estão moto, carro de passeio, Fiorino, van, SUV e outros veículos conforme a modalidade.
Para quem trabalha com moto, existe ainda uma exigência específica para o equipamento de transporte dos pacotes. A Shopee informa que aceita, por exemplo, baú rígido fechado ou alforje lateral dentro das especificações indicadas pela empresa.
Para modalidades de coleta e transferência, os requisitos ficam mais pesados e podem envolver RNTRC vinculado ao CNPJ e ao veículo.
O cadastro deve ser feito pelo aplicativo oficial SPX Motorista Parceiro. A Shopee também alerta que não cobra pagamento durante o processo de recrutamento.
Cadastro e requisitos: [Shopee Motorista Parceiro](https://help.shopee.com.br/portal/4/article/172988?utm_source=chatgpt.com)
4. 99Entrega: uma alternativa que muita gente acaba esquecendo
Quando se fala em 99, normalmente a primeira coisa que vem à cabeça é transporte de passageiros.
Mas existe também o 99Entrega.
A modalidade permite trabalhar com entregas usando moto, carro, veículo utilitário, van ou carreto, dependendo do tipo de serviço.
Para encomendas menores, moto ou carro podem ser suficientes. Para objetos maiores e mais pesados, entram veículos utilitários, vans e carretos.
Isso abre uma possibilidade interessante para quem tem um veículo que não se encaixa tão bem no transporte de passageiros.
Cadastro: [99Entrega, página oficial para entregadores](https://99app.com/motorista/categorias/99-entrega/?utm_source=chatgpt.com)
5. Uber: o caminho mais conhecido para quem tem carro
A Uber continua sendo uma das alternativas mais conhecidas para transformar um carro em fonte de renda.
Para dirigir, a plataforma exige, entre outros requisitos, CNH definitiva com EAR. Depois da aprovação, também é necessário enviar o CRLV do veículo.
O detalhe que muita gente deixa para depois é justamente o EAR.
Se a pessoa tem CNH comum e pretende começar a trabalhar profissionalmente dirigindo passageiros, precisa verificar como incluir essa observação na habilitação antes de contar com a renda.
A Uber também explica que os ganhos variam conforme horário, local, frequência de trabalho, viagens realizadas e promoções disponíveis.
Ou seja, não existe um valor universal que eu possa colocar como “salário da Uber”. Uma pessoa rodando em horário de pico em uma cidade movimentada terá uma realidade diferente de alguém dirigindo poucas horas em uma região com menor demanda.
Requisitos oficiais: [Uber, requisitos para motoristas parceiros](https://www.uber.com/br/pt-br/drive/requirements/?utm_source=chatgpt.com)
Como a Uber explica os ganhos: [Uber, informações sobre ganhos dos motoristas](https://www.uber.com/br/pt-br/drive/how-much-drivers-make/?utm_source=chatgpt.com)
6. E se eu não tiver carro?
Aqui aparece uma possibilidade que muda completamente a conta.
Você não necessariamente precisa comprar um carro para começar.
A Uber mantém parcerias com locadoras para motoristas que não possuem veículo. Atualmente, a própria plataforma anuncia opções de aluguel a partir de R$ 350 por semana, embora o preço final dependa do veículo, locadora, cidade, condições e plano contratado.
Isso significa que alguém pode começar com um carro alugado e testar a atividade antes de assumir uma dívida de financiamento.
Mas existe uma armadilha.
R$ 350 por semana parecem R$ 1.400 por mês olhando rapidamente. Só que um mês não tem exatamente quatro semanas. Considerando 52 semanas no ano, R$ 350 semanais representam aproximadamente R$ 18.200 por ano, antes de combustível e outros custos.
É por isso que eu teria cuidado com qualquer promessa de “faça X por dia e fique rico”. O que importa é o valor que sobra depois de trabalhar.
Opções oficiais de aluguel para motoristas Uber: [Uber, soluções de veículos e locadoras parceiras](https://www.uber.com/br/pt-br/drive/vehicle-solutions/?utm_source=chatgpt.com)
7. Dá para alugar carro para trabalhar na 99 também?
Sim.
A 99 possui parcerias e ofertas de aluguel de veículos para motoristas parceiros. Os valores mudam conforme veículo, cidade e parceiro.
A própria 99 informa que existem opções de carros e motos, inclusive veículos elétricos e modelos a combustão.
Em ofertas divulgadas atualmente pela plataforma aparecem promoções específicas, como descontos no primeiro mês ou bônus condicionados ao número de corridas realizadas.
Mas existe uma diferença importante entre promoção e preço normal de aluguel. Uma oferta com desconto pode ter prazo determinado e condições que deixam de valer depois de alguns meses.
Por isso, eu sempre verificaria o valor que será pago depois do período promocional antes de fazer qualquer conta.
Ofertas oficiais: [99, aluguel de carros para motoristas parceiros](https://99app.com/motorista/classificados/aluguel-carros-99/?utm_source=chatgpt.com)
8. Tenho carro, mas não quero dirigir. Posso alugar para outra pessoa?
Essa é uma possibilidade que merece atenção, principalmente para quem possui um veículo parado.
Em vez de você passar horas dirigindo, pode existir a possibilidade de colocar o carro em uma operação de locação para alguém que trabalhe com aplicativos.
O problema é que aqui o risco muda de lugar.
Quando você dirige, o desgaste está principalmente no seu próprio uso. Quando outra pessoa usa o carro, entram questões como multas, acidentes, manutenção, franquia de seguro, quilometragem, danos internos, inadimplência e responsabilidade contratual.
Por isso, eu não trataria esse modelo como simplesmente “emprestar o carro e receber semanalmente”. É uma atividade que precisa de contrato, análise do condutor, seguro adequado e regras claras.
Também é importante verificar se o seguro contratado permite o tipo de utilização pretendida. Um seguro comum de veículo particular pode não oferecer a mesma cobertura para uso profissional ou locação.
9. E onde entra o TAC e o RNTRC?
Essa parte costuma assustar quem começa a pesquisar transporte de cargas, mas dá para entender sem complicar.
TAC significa Transportador Autônomo de Cargas.
O RNTRC é o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, administrado pela ANTT.
A ANTT informa que a exploração de atividade econômica de transporte rodoviário remunerado de cargas depende de inscrição prévia no RNTRC.
Para o TAC pessoa física, a ANTT estabelece requisitos como CPF ativo, documento de identidade, aprovação em curso específico ou pelo menos três anos de experiência na atividade, além da condição de proprietário, coproprietário, comodatário ou arrendatário de até três veículos automotores de cargas na categoria exigida.
Também existem exigências relacionadas aos seguros obrigatórios da atividade de transporte de cargas.
Requisitos oficiais do TAC: [ANTT, requisitos para RNTRC e TAC](https://www.gov.br/antt/pt-br/assuntos/cargas/rntrc-1/requisitos?utm_source=chatgpt.com)
10. Quanto custa o RNTRC?
Aqui está uma informação que vale ouro para quem está começando: o cadastro do RNTRC Digital pode ser feito gratuitamente.
A ANTT informa que o cadastro e a atualização podem ser realizados pelo RNTRC Digital sem cobrança.
É necessário ter uma conta gov.br verificada nos níveis exigidos para acessar o sistema digital.
RNTRC Digital: [ANTT, como obter e atualizar o RNTRC](https://www.gov.br/antt/pt-br/assuntos/cargas/rntrc-1/como-obter-e-atualizar?utm_source=chatgpt.com)
Mas existe custo para se tornar TAC?
Pode existir.
Um dos requisitos para o TAC é ter aprovação em curso específico ou comprovar pelo menos três anos de experiência.
Para quem precisa fazer a prova eletrônica, a ANTT informa que o valor máximo da prova é de R$ 76,65 no período de 1º de julho de 2026 a 1º de julho de 2027.
A prova possui 30 questões, duração de 1h15 e exige aproveitamento mínimo de 60%.
Portanto, não é correto dizer simplesmente que “tirar RNTRC custa R$ 76,65”. O cadastro digital é gratuito. Esse valor é o limite informado pela ANTT para a realização da prova eletrônica quando ela é necessária.
Informações oficiais sobre a prova: [ANTT, prova eletrônica para TAC e RT](https://www.gov.br/antt/pt-br/assuntos/cargas/rntrc-1/prova-eletronica?utm_source=chatgpt.com)
11. Então qual veículo pode gerar mais dinheiro?
Essa é justamente a pergunta que eu evitaria responder com uma lista do tipo “carro ganha X, moto ganha Y”.
O veículo que gera mais faturamento não necessariamente gera mais lucro.
Uma moto pode consumir muito menos combustível e ser mais ágil em entregas curtas. Um carro pode atender passageiros e encomendas. Uma Fiorino pode abrir portas para cargas maiores, mas também traz custos diferentes.
Eu pensaria assim:
| Veículo | Possibilidades | Principal atenção |
|---|---|---|
| Moto | Entregas, 99Entrega e outras operações locais | Combustível, pneus, segurança e limite de carga |
| Carro | Uber, 99, entregas e encomendas | Combustível, manutenção e depreciação |
| Fiorino | Entregas e transporte de pequenos volumes | Manutenção, documentação e demanda por rotas |
| Van | Entregas, logística e cargas maiores | Custos fixos e necessidade de contratos/rotas |
12. O cálculo que realmente interessa: quanto sobra?
Imagine que uma pessoa consiga faturar R$ 250 em um dia.
É muito fácil olhar para esse número e pensar: “R$ 250 por dia está ótimo”.
Mas vamos supor que naquele dia ela tenha gasto R$ 60 de combustível, R$ 20 com alimentação e estacionamento e reserve R$ 30 para manutenção, pneus, óleo e desgaste do veículo.
Já seriam R$ 110 de custos.
Os R$ 250 de faturamento virariam R$ 140 antes de considerar outros custos e impostos.
Esse exemplo não é uma promessa de ganho nem uma média de mercado. É apenas uma forma de mostrar por que faturamento e renda líquida são coisas diferentes.
Na minha opinião, essa é uma das contas mais importantes para quem está começando e também uma das mais esquecidas.
13. Dá para combinar várias fontes de renda?
Sim, e talvez essa seja uma das estratégias mais interessantes para quem já possui veículo.
Um motorista pode, por exemplo, trabalhar com passageiros em horários de maior movimento e utilizar outros períodos para entregas.
Outro profissional pode preferir trabalhar exclusivamente com encomendas.
Quem possui um utilitário pode procurar operações de logística em vez de depender somente de corridas de passageiros.
O importante é verificar as regras de cada plataforma e, principalmente, se o veículo atende aos requisitos.
Também não significa que seja necessário ficar conectado em cinco aplicativos ao mesmo tempo. Às vezes, tentar aproveitar todas as oportunidades acaba fazendo a pessoa perder tempo com deslocamentos vazios.
14. E quem não tem veículo pode começar?
Pode, mas precisa fazer uma conta mais cuidadosa.
Com aluguel, uma parte relevante do faturamento já começa comprometida.
Se o aluguel custa R$ 350 por semana, por exemplo, são cerca de R$ 1.517 por mês quando anualizamos o custo semanal, considerando 52 semanas divididas por 12 meses.
Depois ainda entram combustível, eventuais taxas, alimentação, estacionamento e outros custos.
Por isso, antes de alugar, eu faria uma simulação de pelo menos quatro semanas. Melhor ainda se for possível testar a atividade antes de assumir um contrato mais longo.
15. Um alerta para quem está começando
Desconfie de quem promete cadastro garantido, renda fixa ou cobra Dinheiro para “liberar vaga” em uma plataforma.
A Shopee, por exemplo, informa expressamente que o processo de cadastro do motorista parceiro é realizado pelos canais oficiais e que não cobra pagamentos durante o recrutamento.
O mesmo cuidado vale para qualquer pessoa que apareça oferecendo “vaga de entregador” por WhatsApp e peça Pix, compra de curso obrigatório ou pagamento antecipado para liberar o acesso.
Antes de entregar documentos ou dinheiro, eu procuraria o site oficial da empresa e começaria o cadastro por lá.
16. Afinal, qual é o melhor caminho?
Não existe uma resposta única.
Quem tem moto pode encontrar mais sentido nas entregas curtas. Quem tem carro pode combinar passageiros e encomendas. Quem possui Fiorino ou van pode olhar para logística e transporte de cargas. Quem não quer dirigir pode estudar a possibilidade de locação, assumindo os riscos que vêm junto.
E quem pretende transformar transporte de cargas em uma atividade profissional mais estruturada precisa entender o RNTRC, TAC, documentação, seguros e regras da ANTT antes de sair procurando carga.
O ponto que eu considero mais importante é outro: não escolha pelo valor que aparece no aplicativo. Escolha olhando o que sobra depois que o veículo termina o dia.
Porque no fim do mês, o aplicativo mostra o faturamento. Quem paga as contas é o lucro.
E talvez a pergunta mais interessante para quem tem um veículo parado hoje não seja “quanto eu consigo ganhar?”, mas sim: quanto custa manter esse veículo parado enquanto poderia estar produzindo alguma renda?
