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Músicas dos anos 90: sucessos, playlists e curiosidades para voltar no tempo

Músicas dos anos 90: sucessos, playlists e curiosidades para voltar no tempo

Eu fui procurar músicas dos anos 90 pensando que faria uma seleção rápida. Bastaram alguns minutos para perceber que isso era praticamente impossível.

Comecei em Nirvana, fui parar em Whitney Houston, depois apareceu Corona, Backstreet Boys, Roxette, Mariah Carey e, quando vi, já estava lembrando de músicas que eu nem sabia mais que lembrava.

Talvez seja justamente esse o charme da década. Os anos 90 não tiveram um único som. Dependendo da estação de rádio, da festa ou até da casa onde você estava, podia tocar rock, pagode, eurodance, sertanejo, axé e pop na mesma tarde.

Então, em vez de montar apenas mais uma lista enorme de músicas, resolvi fazer algo que eu mesmo prefiro encontrar quando pesquiso esse tipo de assunto: músicas para ouvir, playlists incorporadas e algumas histórias que ajudam a entender por que certos sucessos ficaram tão marcados.

Músicas dos anos 90 que ainda são reconhecidas em segundos

Não considero isso um ranking. Até porque seria difícil defender que uma década com tantos estilos diferentes tenha um primeiro ou segundo lugar definitivo.

Mas estas são algumas músicas que, para mim, funcionam quase como atalhos para os anos 90:

  • Nirvana – Smells Like Teen Spirit
  • Whitney Houston – I Will Always Love You
  • R.E.M. – Losing My Religion
  • Roxette – It Must Have Been Love
  • 4 Non Blondes – What’s Up?
  • The Cranberries – Zombie
  • Oasis – Wonderwall
  • Coolio – Gangsta’s Paradise
  • Spice Girls – Wannabe
  • Backstreet Boys – I Want It That Way
  • Britney Spears – …Baby One More Time
  • Cher – Believe
  • Ace of Base – The Sign
  • Haddaway – What Is Love
  • Corona – The Rhythm of the Night
  • SNAP! – Rhythm Is a Dancer
  • Los del Río – Macarena
  • Alanis Morissette – Ironic
  • Metallica – Enter Sandman
  • Mariah Carey – Fantasy
  • TLC – No Scrubs
  • No Doubt – Don’t Speak
  • Michael Jackson – Black or White
  • U2 – One
  • Red Hot Chili Peppers – Under the Bridge

Uma playlist para começar: Brasil nos anos 90

Quando fui atrás de uma playlist para incorporar aqui, uma das que mais gostei foi a Brasil Anos 90, do próprio Spotify.

Ela tem uma mistura que representa bem aquela sensação de ligar o rádio naquela época sem saber exatamente o que viria depois. Tem Djavan, O Rappa, Raimundos, Racionais MC’s, Zezé Di Camargo & Luciano, Skank, Mamonas Assassinas, Só Pra Contrariar, Daniela Mercury e vários outros nomes.

O mais interessante é ouvir algumas faixas em sequência. Às vezes a nossa memória separa os anos 90 em gavetas muito organizadas: rock de um lado, sertanejo de outro, pagode em outra. Na prática, tudo isso estava acontecendo quase ao mesmo tempo.

Playlist: Brasil Anos 90, disponível no Spotify.

Os anos 90 eram muito mais misturados do que eu lembrava

Essa foi uma das coisas que mais me chamou atenção enquanto pesquisava.

Existe uma tendência de olhar para trás e resumir décadas inteiras em dois ou três movimentos. Os anos 80 viram sintetizador, os anos 90 viram grunge, os anos 2000 viram pop.

Só que a realidade nunca foi tão organizada assim.

Na mesma década em que Nirvana e Pearl Jam ajudavam a levar o rock alternativo para o centro da cultura pop, Mariah Carey, Whitney Houston, Janet Jackson e outras artistas dominavam as paradas americanas.

Mariah Carey, por exemplo, conseguiu 14 músicas em primeiro lugar na Billboard Hot 100 durante os anos 90. Isso diz bastante sobre o tamanho do pop e do R&B naquele período.

1990 parece outra década quando comparado com 1999

Essa comparação eu achei especialmente divertida.

Entre as músicas de maior destaque nos Estados Unidos em 1990 estavam Hold On, do Wilson Phillips, It Must Have Been Love, do Roxette, Nothing Compares 2 U, de Sinéad O’Connor, além de Madonna, Phil Collins, Janet Jackson e Mariah Carey.

Nove anos depois, a fotografia era completamente diferente.

Em 1999 apareciam Cher com Believe, TLC com No Scrubs, Britney Spears com …Baby One More Time, Christina Aguilera, Ricky Martin e Backstreet Boys.

É a mesma década, mas parece que existe uma distância enorme entre uma ponta e outra.

O momento em que o grunge deixou de ser apenas alternativo

Eu dificilmente faria um artigo sobre músicas dos anos 90 sem colocar Smells Like Teen Spirit.

Não apenas porque a música ficou famosa. Ela representa algo maior.

No começo da década, aquele som mais áspero, roupas simples e a estética propositalmente menos polida passaram a ocupar um espaço que até então parecia improvável na cultura pop.

É curioso assistir ao clipe hoje porque ele ainda tem uma energia meio desconfortável. Não parece um vídeo criado para ser impecável. E talvez justamente por isso continue funcionando.

Uma coisa importante: sucesso cultural não é a mesma coisa que número 1

Essa distinção costuma sumir quando falamos de música antiga.

Uma música pode ter mudado moda, linguagem e Comportamento sem necessariamente ter sido o maior número da parada naquele ano.

É por isso que simplesmente olhar uma tabela de vendas nem sempre conta toda a história.

A balada que tomou conta dos anos 90

Se existe uma música que eu associo imediatamente ao lado romântico da década, é I Will Always Love You, na voz de Whitney Houston.

A música já existia antes, mas a gravação de Whitney ganhou outra dimensão depois de aparecer em O Guarda-Costas.

É um bom exemplo de algo que acontecia bastante naquela época: filme e trilha sonora podiam crescer juntos a ponto de ser difícil lembrar de um sem lembrar do outro.

E então apareceu a Macarena

Tem música famosa e tem música que atravessa a música e vira comportamento.

Macarena pertence claramente ao segundo grupo.

A versão Bayside Boys Mix passou 14 semanas no topo da Billboard Hot 100 em 1996.

O que sempre achei mais curioso é imaginar uma febre desse tamanho acontecendo antes de TikTok, Reels e vídeos virais como conhecemos hoje.

Uma dança atravessou países, escolas, festas e programas de televisão praticamente no boca a boca, rádio e TV.

O eurodance é provavelmente o som mais fácil de reconhecer

Aqui entra uma parte dos anos 90 que, para mim, envelheceu de uma maneira curiosa.

Você escuta poucos segundos de Haddaway, Corona, SNAP!, Culture Beat ou 2 Unlimited e praticamente não existe dúvida sobre a época.

As batidas, os sintetizadores e aquela combinação de refrão cantado com trechos falados entregam a década imediatamente.

Algumas produções soam datadas? Bastante.

Mas coloque Rhythm Is a Dancer ou The Rhythm of the Night em uma festa e a teoria sobre “som datado” começa a perder importância muito rápido.

Quando o pop começou a antecipar os anos 2000

Na segunda metade dos anos 90 aparece outra mudança.

Spice Girls, Backstreet Boys e depois Britney Spears ajudam a construir aquele pop extremamente produzido que dominaria o início dos anos 2000.

I Want It That Way, lançada em 1999, sempre me pareceu uma ótima música para marcar essa transição.

Ela ainda pertence completamente aos anos 90, mas já tem a cara do pop que tomaria conta dos anos seguintes.

E o Brasil tinha uma década completamente própria

É aqui que tentar resumir os anos 90 fica ainda mais difícil.

No Brasil, estavam acontecendo ao mesmo tempo o crescimento do pagode romântico, a explosão do axé, o sertanejo lotando rádios, o rock nacional mudando de cara, o rap ganhando força e bandas que não cabiam facilmente em nenhuma categoria.

Só a playlist abaixo já dá uma dimensão disso.

Ela coloca lado a lado músicas como Minha Alma, do O Rappa, Mulher de Fases, dos Raimundos, Diário de um Detento, dos Racionais MC’s, É o Amor, de Zezé Di Camargo & Luciano, Garota Nacional, do Skank, e Pelados em Santos, dos Mamonas Assassinas.

É quase engraçado perceber que todas essas músicas cabem dentro da mesma etiqueta: “anos 90”.

Uma curiosidade: algumas músicas da playlist nem são exatamente dos anos 90

Aqui vai um detalhe que eu acho importante observar.

Playlists editoriais nem sempre obedecem rigorosamente a data de lançamento. Algumas misturam músicas do fim dos anos 90 com gravações ou sucessos lançados um pouco depois.

Por isso eu evitaria usar uma playlist de streaming como fonte histórica única.

Ela funciona muito bem para ouvir e entrar no clima, mas para datas, posições em parada e contexto de lançamento, é melhor conferir fontes específicas.

Spotify ou YouTube Music: qual funciona melhor neste tipo de post?

Depois de testar os dois formatos, eu usaria cada plataforma para uma coisa.

O Spotify funciona melhor para deixar uma sequência longa tocando enquanto a pessoa continua lendo. O player fica compacto e a playlist permanece visualmente organizada.

Já o YouTube funciona melhor quando existe uma história em torno de uma música específica. Aí vale mostrar o videoclipe, uma apresentação ou alguma gravação que ajude a contar aquela parte do texto.

No caso do YouTube Music existe um detalhe técnico: muitas playlists do serviço usam o mesmo sistema de playlists do YouTube, mas nem toda página do YouTube Music oferece um player incorporável separado.

Por isso, para evitar um espaço quebrado no artigo, prefiro incorporar o player normal do YouTube quando o conteúdo estiver disponível lá. Para o leitor, a música continua vindo do ecossistema do YouTube e funciona muito melhor dentro da página.

Uma playlist extra para quem quer música brasileira

Também encontrei outra seleção interessante, criada pela uDiscover Portugal, com 60 músicas brasileiras ligadas à década.

Ela começa com Netinho, Banda Eva, Timbalada, DJ Marlboro, Los Hermanos e Mamonas Assassinas. É uma seleção menos “certinha” que a editorial do Spotify, mas achei justamente por isso divertida de explorar.

Referências usadas neste artigo

Para não transformar lembrança em fato histórico por acidente, usei as playlists principalmente como referência musical e conferi informações específicas separadamente.

Alerta importante: vídeos do YouTube podem deixar de aceitar incorporação ou mudar de disponibilidade de acordo com país, gravadora ou configuração do canal. Antes de publicar, eu abriria o post em uma janela anônima no celular e testaria cada player.

Talvez seja justamente por isso que eu goste tanto de voltar aos anos 90. Você entra procurando uma música específica e termina lembrando de uma festa, um programa de televisão, um CD arranhado ou de alguém que nem estava nos seus pensamentos cinco minutos antes.

E se fosse permitido salvar apenas uma música daquela década para mostrar a alguém que nunca viveu os anos 90, qual você escolheria?

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