Quando comecei a procurar brasileiros no America’s Got Talent, achei que encontraria principalmente cantores. Só que bastaram alguns vídeos para perceber que a história era bem mais interessante.
Tem brasileiro cantando, claro. Mas também tem break, mágica, acrobacia aérea, balé, tecnologia e uma companhia gigantesca comandada por um brasileiro que chegou muito perto de vencer o programa.
E algumas dessas participações foram longe de verdade.
Teve Golden Buzzer, finalista, Top 5 e brasileiro envolvido em uma apresentação que terminou a temporada no segundo lugar.
Separei 10 casos que achei interessantes. Em alguns deles, fui assistir só para conferir a história e acabei ficando até a reação final dos jurados.
1. Gabriel Henrique conquistou o Golden Buzzer
Talvez Gabriel Henrique seja hoje um dos nomes mais lembrados quando alguém fala de brasileiros no America’s Got Talent.
O mineiro participou da 18ª temporada, em 2023. No começo da audição parecia tímido e precisou de ajuda para conversar com os jurados em inglês.
Aí começou a cantar.
Gabriel escolheu Run to You, de Whitney Houston, e a mudança é curiosa de assistir. O rapaz que parecia quase desconfortável conversando minutos antes simplesmente toma conta do palco.
Sofía Vergara gostou tanto que apertou o Golden Buzzer.
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2. Bboy Samuka fez os jurados levantarem da cadeira
A história de Bboy Samuka já seria suficiente para chamar atenção. Mas achei ainda mais interessante perceber que, quando a dança começa, ela não depende da história para funcionar.
Samuel Henrique, conhecido como Samuka, perdeu uma das pernas depois de enfrentar um câncer na adolescência.
Anos depois apareceu na 19ª temporada do AGT dançando break.
E não foi uma apresentação montada apenas para emocionar.
Ele executa movimentos que já seriam complicados para qualquer dançarino e conseguiu uma reação enorme dos jurados.
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3. Alan Silva chegou à final do America’s Got Talent
Alan Silva merece um lugar especial nessa lista porque sua participação não terminou depois de uma audição viral.
O brasileiro participou da 15ª temporada, em 2020, apresentando números de acrobacia aérea.
Alan vem de uma Família circense e levou essa experiência para um palco em que qualquer pequeno erro poderia virar um desastre diante das câmeras.
Ele avançou etapa após etapa e chegou à grande final.
Terminou a temporada na quinta colocação.
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4. LightWire transformou tecnologia em espetáculo
A LightWire é provavelmente uma das apresentações mais difíceis desta lista de explicar apenas com palavras.
Criada pelos irmãos brasileiros Daniel e Felipe de Almeida, a companhia mistura dança, projeção, luz e tecnologia.
Quando assisti, demorei alguns segundos para entender onde terminava o corpo do artista e começava a projeção.
E acho que essa confusão visual é justamente parte da graça.
Na 20ª temporada, o grupo impressionou Simon Cowell e recebeu o Golden Buzzer.
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5. Vitória Bueno levou o balé brasileiro ao AGT: All-Stars
A participação de Vitória Bueno aconteceu no America’s Got Talent: All-Stars, edição que reuniu participantes que já tinham chamado atenção em diferentes versões da franquia.
A brasileira nasceu sem os braços e já havia conquistado o segundo lugar no Das Supertalent, na Alemanha.
No palco americano, apresentou um número de balé.
Uma coisa me chamou atenção revendo sua apresentação: no começo é praticamente inevitável olhar para sua condição física. Depois de alguns segundos, você está simplesmente acompanhando a dança.
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6. Alain Simonov fez cartas desafiarem a lógica
Eu sempre fico com um pé atrás com mágica vista pela televisão.
A câmera deixa aquela dúvida: será que estamos deixando de enxergar justamente o lugar onde acontece o truque?
Por isso gostei da apresentação do brasileiro Alain Simonov.
Ele trabalha com manipulação de cartas e ilusionismo usando uma apresentação muito mais visual do que aquela imagem tradicional do mágico com cartola.
As cartas aparecem, desaparecem e parecem desafiar a gravidade nas mãos dele. Foi uma daquelas apresentações em que voltei alguns segundos só para tentar entender onde o truque tinha acontecido.
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7. Super Silva Jr. levou um número de risco ao palco
Existem apresentações do America’s Got Talent que tentam parecer perigosas.
Com Super Silva Jr., a impressão é diferente. O risco parece bastante real.
O brasileiro Weddington Alves vem de uma família ligada ao trapézio e participou da 19ª temporada.
Seu número envolvia acrobacias aéreas e deixou os jurados visivelmente tensos.
Os quatro aprovaram sua apresentação.
Ele não chegou à final, mas é um bom exemplo de algo que acontece bastante no AGT: às vezes uma única audição acaba ficando mais conhecida do que toda a trajetória do participante.
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8. Ninah Sampaio cantou enquanto resolvia cubos mágicos
Essa talvez seja a ideia mais improvável da lista.
Ninah Sampaio resolveu juntar duas coisas que normalmente não têm absolutamente nada a ver uma com a outra.
Cantar e resolver cubos mágicos.
A brasileira participou da 18ª temporada e conseguiu aprovação dos jurados.
O interessante é que o conceito pode ser explicado em uma frase. Você entende imediatamente o que ela está tentando fazer e fica esperando para descobrir se vai conseguir.
Num programa cheio de produções gigantescas, isso funciona surpreendentemente bem.
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9. Neguin levou o breaking brasileiro ao programa
Neguin apareceu na 17ª temporada do America’s Got Talent.
O brasileiro já carregava experiência com breaking, dança, capoeira e artes marciais quando chegou ao programa.
Sua participação acabou aparecendo de maneira mais curta na edição exibida pela televisão.
Mesmo assim, avançou após a audição.
Foi nessa parte da lista que percebi algo que eu não esperava quando comecei a pesquisar.
A presença brasileira no America’s Got Talent tem uma ligação enorme com movimento corporal.
Tem breaking, balé, circo, trapézio, tecido e acrobacia.
Não é só música.
10. Um brasileiro comandou o Zurcaroh até o segundo lugar
Este é um caso um pouco diferente dos demais.
O Zurcaroh não é um grupo formado apenas por brasileiros. A companhia é sediada na Áustria.
Mas quem está por trás de sua criação e direção é o brasileiro Peterson da Cruz Hora.
Na 13ª temporada do America’s Got Talent, o grupo apresentou um número gigantesco misturando dança, ginástica e acrobacias.
Tyra Banks apertou o Golden Buzzer.
Depois veio algo ainda maior.
O grupo continuou avançando até chegar à grande final e terminou o America’s Got Talent em segundo lugar, atrás do mágico Shin Lim.
Revendo o número, o que mais me impressiona nem é uma acrobacia específica. É a quantidade de gente fazendo coisas diferentes ao mesmo tempo sem transformar o palco numa bagunça.
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O detalhe sobre os brasileiros no America’s Got Talent que eu não esperava
Antes de juntar essas apresentações, eu realmente esperava encontrar uma lista dominada por cantores.
Gabriel Henrique teve um dos momentos brasileiros mais conhecidos do programa, mas olhando o conjunto aparece outra história.
Existe uma presença brasileira muito forte em dança, circo, acrobacia e performance visual.
Alan Silva chegou à final fazendo acrobacias aéreas. Samuka apareceu com o breaking. Vitória levou o balé. Super Silva Jr. apostou no risco. LightWire misturou dança e tecnologia. Peterson da Cruz Hora comandou dezenas de artistas até o segundo lugar.
Eu não tinha percebido esse padrão antes de colocar as apresentações lado a lado.
Talvez exista aí uma exportação cultural brasileira menos óbvia do que futebol e música.
Por que algum vídeo pode deixar de funcionar?
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Isso traz um detalhe importante: mesmo um vídeo funcionando hoje pode ser removido, colocado como privado ou ter sua incorporação desativada no futuro.
Por isso mantive também um acesso ao YouTube abaixo de cada apresentação.
Também vale separar uma coisa da outra. Alguns nomes desta lista chegaram às fases finais do programa. Outros tiveram uma audição marcante, mas foram eliminados antes.
Mesmo assim, depois de assistir tudo em sequência, fiquei pensando em outra coisa: se brasileiros já conseguiram Golden Buzzer, Top 5, segundo lugar e algumas reações enormes dos jurados em categorias tão diferentes, quantos talentos daqui ainda estão fazendo apresentações igualmente absurdas sem uma câmera por perto?
